segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

AINDA ASSIM, EU ME LEVANTO


    Da poeta, escritora, ativista de direitos civis, e historiadora Maya Angelou 

      
    Você pode me riscar da História
    Com mentiras lançadas ao ar.
    Pode me jogar contra o chão de terra,
    Mas ainda assim, como a poeira, eu vou me levantar.  

    Minha presença o incomoda?
    Por que meu brilho o intimida?
    Porque eu caminho como quem possui
    Riquezas dignas do grego Midas.  

    Como a lua e como o sol no céu,
    Com a certeza da onda no mar,
    Como a esperança emergindo na desgraça,
    Assim eu vou me levantar.  

    Você não queria me ver quebrada?
    Cabeça curvada e olhos para o chão?
    Ombros caídos como as lágrimas,
    Minh'alma enfraquecida pela solidão?  
    Meu orgulho o ofende?
    Tenho certeza que sim
    Porque eu rio como quem possui
    Ouros escondidos em mim.  

    Pode me atirar palavras afiadas,
    Dilacerar-me com seu olhar,
    Você pode me matar em nome do ódio,
    Mas ainda assim, como o ar, eu vou me levantar.  

    Minha sensualidade incomoda?
    Será que você se pergunta
    Porquê eu danço como se tivesse
    Um diamante onde as coxas se juntam?  

    Da favela, da humilhação imposta pela cor
    Eu me levanto
    De um passado enraizado na dor
    Eu me levanto
    Sou um oceano negro, profundo na fé,
    Crescendo e expandindo-se como a maré.  

    Deixando para trás noites de terror e atrocidade
    Eu me levanto
    Em direção a um novo dia de intensa Luz
    Eu me levanto   

    Trazendo comigo o dom de meus antepassados,
    Eu carrego o sonho e a esperança do homem escravizado.
    E assim, eu me levanto
    Eu me levanto
    Eu me levanto.   

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